100 anos da Clínica Dermatológica da Santa Casa BH

Primeiro hospital de Belo Horizonte, a Santa Casa foi inaugurada dois anos após a capital de Minas Gerais, em 1899. Em decorrência desse fato, foi pioneira no atendimento a várias especialidades médicas na cidade e com a dermatologia não foi diferente.

02-maio-2017
R. Álvares Maciel, 665: um dos endereços do Ambulatório de Dermatologia da Santa Casa de BH

 Uma história que se confunde com a história da dermatologia em Minas Gerais e no Brasil

Primeiro hospital de Belo Horizonte, a Santa Casa foi inaugurada dois anos após a capital de Minas Gerais, em 1899. Em decorrência desse fato, foi pioneira no atendimento a várias especialidades médicas na cidade e com a dermatologia não foi diferente. Ainda em 1912, de acordo o jornalista Manoel Hygino dos Santos em seu livro “A Dermatologia na Santa Casa de Belo Horizonte”, citando o Prof. Alfredo Balena, já existia o Pavilhão dos Tuberculosos e a Clínica Syphiligrafica e de Dermatologia do hospital. Mas foi em 15 de abril de 1917 que nasceu a Enfermaria de Dermatologia da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, chamada hoje de Clínica Dermatológica da Santa Casa, que acaba de completar 100 anos.

O início do século XX foi marcado pelo desenvolvimento da dermatologia como área de pesquisa no Brasil, quando foi criada a Sociedade Brasileira de Dermatologia e Sifiligrafia (1912) e fundadas as primeiras escolas de dermatologia como especialidade. Desenvolvimento que se deu basicamente para o estudo de doenças como a sífilis e a hanseníase. Dos anos 1910 para os anos 2010, a dermatologia evoluiu, diversificou, deixando de ser uma especialidade clínica para se tornar uma especialidade clínico-cirúrgica.

A Clínica Dermatológica da Santa Casa acompanhou toda essa evolução, começando com duas alas para homens e mulheres, uma sala de consulta, uma de curativo, uma sala de aula com 50 lugares e um laboratório de patologia clínica para casos de rotina, segundo o livro “A Dermatologia na Santa Casa de Belo Horizonte”, de Manoel Hygino. Depois de passar por vários locais dentro do hospital, o atendimento de consultas dermatológicas se encontra, desde 2007, no Centro de Especialidades Médicas SCBH, que fica na Rua Domingos Vieira, nas proximidades do prédio central da Santa Casa.

Atualmente, cerca de 8 mil pessoas, todas do Sistema Único de Saúde (SUS), são atendidas por mês na Clínica Dermatológica, em ambulatórios específicos de hanseníase, doenças dos cabelos, tumores, dermatologia pediátrica, psoríase, cirurgia dermatológica e cosmiatria. Seu corpo clínico conta com um residente e cinco alunos de especialização, por ano, treinados por 16 preceptores. “Nos últimos 15 anos, tivemos 100% de aprovação na prova para obtenção do Título de Especialista em Dermatologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia”, comemora Maria Sílvia Laborne, chefe da Clínica Dermatológica da Santa Casa de Belo Horizonte.

O legado

A história centenária da Clínica começa com um dos precursores da dermatologia em Minas Gerais, o médico e professor Antônio Aleixo, um dos fundadores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1911. Após seu falecimento, seu irmão, o também dermatologista Josephino Aleixo assume seu posto, dedicando-se à dermatosifiligrafia e à hanseníase. Orestes Diniz, Olinto Orsini, Oswaldo Costa, José Mariano, Cid Ferreira Lopes, Tancredo Alves Furtado, Francisco José Neves e João Gontijo foram outros grandes nomes que ajudaram a escrever a história da Clínica Dermatológica da Santa Casa, que só ganhou o nome atual na década de 1990, quando assumiu a chefia do Serviço de Dermatologia o professor Jackson Machado Pinto. Com a unificação das quatro enfermarias dermatológicas, Jackson, hoje secretário de Saúde de Belo Horizonte, possibilitou a uniformização de conduta do atendimento e do ensino da dermatologia da Santa Casa.

De acordo com Maria Sílvia, esses profissionais, em sua maioria, professores da Faculdade de Medicina da UFMG e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, deixaram importantes contribuições para a medicina, além de terem prestado atendimento a milhares de pessoas, contribuindo também para a formação de um grande número de médicos, que atuam não só em Belo Horizonte, mas em cidades do interior do estado e de todo o Brasil. No entanto, para Maria Sílvia, o legado maior é reconhecimento, por parte de médicos de outras especialidades, da capacidade do dermatologista em diagnosticar moléstias internas pela sua manifestação cutânea, o que contribui para uma melhor atenção ao paciente.

“Nossas perspectivas para o futuro são de crescimento: aumento do número de atendimentos à população carente, ampliando a realização de procedimentos e a oferta de meios diagnósticos e terapêuticos mais sofisticados, oferecendo assim um serviço completo e humanizado”, finaliza a chefe da Clínica.