Um dermatologista no 1º escalão da PBH

O dermatologista Jackson Machado Pinto é chefe da Clínica Dermatológica da Santa Casa de Belo Horizonte, professor coordenador da disciplina de dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, administra um consultório de dermatologia e agora tem um novo desafio: ser secretário de saúde do prefeito eleito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil.

15-dez-2016

O dermatologista Jackson Machado Pinto é chefe da Clínica Dermatológica da Santa Casa de Belo Horizonte, professor coordenador da disciplina de dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, administra um consultório de dermatologia e agora tem um novo desafio: ser secretário de saúde do prefeito eleito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. Nessa curta entrevista, o novo secretária fala um pouco de como é estar a frente da pasta com maior orçamento da Prefeitura de BH.

Qual a importância de se ter um dermatologista como secretário de saúde de Belo Horizonte?

Ao me convidar para exercer o cargo de secretário municipal de saúde durante sua gestão, o prefeito Alexandre Kalil me deu uma enorme prova de confiança pessoal, uma vez que é a pasta com o maior orçamento dentre todas. Também é a secretaria que conta com o maior número de funcionários, cerca de 15 mil, distribuídos em 350 pontos de trabalho, incluindo-se nesse número dois hospitais, nove UPAs e 150 Centros de Saúde. Ao convidar um dermatologista para ocupar esse cargo importante, o prefeito reconhece a importância da Dermatologia no que se refere à Saúde Pública e à sua capacidade de enfrentar os graves problemas que a nossa população enfrenta, em que pese a boa qualidade do SUS em Belo Horizonte.

Já existe algum planejamento para a sua gestão frente à Secretaria?

Enquanto membro da equipe de transição, tenho tido muitas reuniões com o atual secretário, Dr. Fabiano Pimenta, que não poupou esforços para nos por a par de todos os detalhes da Secretaria Municipal de Saúde. Como a Medicina nos ensina, todo tratamento deve ser consequência de um diagnóstico correto.  Estamos ainda numa fase de diagnóstico, levantando problemas de pessoal, de infraestrutura, de possibilidades de busca de novos recursos, enfim, de tudo que possa ter consequências no atendimento médico à população. Posso adiantar que, do ponto de vista filosófico, queremos dar muita ênfase à atenção primária, ao programa de saúde da família, ao trabalho dos agentes comunitários de saúde e agentes comunitários de endemias, embora não possamos nos esquecer das mais de 25 mil cirurgias eletivas atrasadas e das enormes filas para o atendimento de consultas especializadas. Esperamos solucionar esses dois últimos problemas com rapidez. Planejamos, ainda, horizontalizar a Saúde, por meio de ações nas escolas de ensino fundamental, nas atividades esportivas e na abordagem de grupos de maior risco de adoecerem, como, por exemplo, os moradores de rua. Evidentemente, essa horizontalização passa por ações conjuntas com as Secretarias de Educação, Esportes e Lazer e Ação Social. Também é nossa intenção facilitar o acesso aos métodos de apoio diagnóstico e aos medicamentos. Torna-se de extrema importância uma discussão ampla, especialmente com o Ministério Público e com a Procuradoria do Município, sobre os critérios das licitações das compras de medicamentos e equipamentos médicos, uma vez que preço, em saúde, não pode ser o único critério de avaliação. A qualidade do produto a ser comprado tem muita importância.

Como o senhor enxerga o aumento do número de casos de sífilis no Brasil? E o que pode ser feito em termos de saúde pública para BH?

Certamente, o aumento do número de casos de sífilis no Brasil não tem causa única e tampouco solução única. Além da pronta capacitação de toda a rede pública para o reconhecimento, diagnóstico e tratamento dos casos, as campanhas de esclarecimento são de suma importância. Ainda não sei dizer se teremos condição de oferecer solução em curto prazo!

Qual sua posição em relação à lei do ato médico, em especial, quanto ao aumento da realização de procedimentos estéticos e dermatológicos por profissionais não médicos?

A profissão médica carece de um instrumento que regulamente o seu exercício e impeça que outros profissionais exerçam ilegalmente a medicina. É óbvio que conhecimento não tem dono, mas aprendi, já há muitos anos, que só se deve realizar um determinado procedimento quando se é capaz de reconhecer e tratar todas as suas possíveis complicações. Todas as complicações de procedimentos estéticos são médicas. Assim, o médico é o profissional capacitado para realizar os procedimentos que possam oferecer risco para a saúde do paciente. Infelizmente, temos visto profissionais outros, não capacitados, realizando procedimentos invasivos, atuando de modo irresponsável e negligente, visando exclusivamente o lucro. Também devo dizer que aprendi que todo o ganho que a Medicina oferece ao médico resulta da Felicidade que ele trouxe para algum paciente. Desse modo, o objetivo primeiro de todo tratamento deve ser a Felicidade do paciente e não o ganho que poder-se-ia obter com ele.