Acne

A acne apresenta diversos tipos de lesões, variando desde discretas elevações branco-amareladas, com ou sem ponto escuro central (comedos ou “cravos”), elevações avermelhadas (pápulas), pontos amarelados de pus…

29-jul-2013

Acne
é freqüente doença inflamatória da pele, de causa multifatorial, que
acomete adolescentes e jovens em 80% dos casos, geralmente entre 11 e 30
anos de idade.  

O local preciso de instalação da acne é
a unidade pilossebácea, que é constituída por folículo piloso, glândula
sebácea e pêlo do tipo vellus (cabelo mais fino). As
glândulas sebáceas e os folículos sempre se apresentam em proporção
inversa de tamanho, ou seja, quanto maior a glândula sebácea, menor o
folículo, e vice-versa. Alguns locais da pele humana, como face, pescoço
e tórax, são mais predispostos ao desenvolvimento da acne, porque
contêm maior número de glândulas sebáceas, chegando a 900 glândulas/cm2, enquanto no restante do corpo a quantidade é bem menor, em torno de 100 glândulas/cm2 de pele.
induzem a hipertrofia das glândulas sebáceas e o aumento da
produção de sebo, que em conjunto com o acúmulo de células mortas no
orifício do , obstruem o poro da pele, impedindo que o sebo possa sair
por este orifício, o que leva à produção de substâncias que propiciam o
crescimento de bactérias no local, como o Propionibacterium acnes .
 

Aproximadamente aos nove anos de idade, as glândulas supra-renais
começam a produzir uma quantidade aumentada dos chamados andrógenos,
hormônios que estimulam ou controlam o desenvolvimento e a manutenção
das características masculinas, sendo também precursores de todos os estrógenos, os hormônios sexuais femininos. Os andrógenos
folículo pilossebáceo
  

Manifestações clínicas da acne
 

A acne apresenta diversos tipos de lesões, variando desde discretas
elevações branco-amareladas, com ou sem ponto escuro central (comedos
ou “cravos”), elevações avermelhadas (pápulas), pontos amarelados de pus
(pústulas), até “caroços” avermelhados (nódulos) e cistos, que podem
intercomunicar-se e drenar pus.
 
 

Classificação da acne
 

Acne não inflamatória


Grau I: Acne comedônica, composta por “cravos” abertos ou fechados.
 
Acne inflamatória

Grau II: Acne pápulo-pustulosa, apresentando lesões dolorosas, avermelhadas e elevadas, podendo ter pus no seu interior.
Grau III: Acne nódulo-cística,
mostrando lesões nodulares, podendo também ter no seu interior a
presença de material purulento e fétido.

Grau IV: Acne conglobata, com lesões
que se intercomunicam por fistulas, drenando material amarelado e com
odor desagradável. Neste caso, ocorre grande tendência a cicatrizes
inestéticas, devendo, por isso, ser introduzido tratamento adequado o
mais precocemente possível.

Grau V: Acne fulminante, de início
abrupto, com grande componente inflamatório, febre flutuante, fraqueza,
perda de apetite e de peso, grande tendência cicatricial; pode ser
desencadeada pelo uso de testosterona com finalidade de ganho de massa
muscular.
 
 

Tratamento da acne
 

Local -Medidas objetivando a
constante limpeza da pele e a inibição da secreção sebácea, com
sabonetes à base de enxofre e ácido salicílico, são bastante utilizadas.
Antibióticos tópicos como a
clindamicina e a eritromicina podem ser empregados separadadamente ou
associados a substâncias antibacterianas, queratolíticas, comedolíticas e
sebo-reguladoras, tais como retinóides tópicos, peróxido de benzoíla e
ácido azelaico

SistêmicoAntibacterianos
sistêmicos, como eritromicina, tetraciclina, minociclina, limeciclina e
dapsona, utilizados por tempo variável, muitas vezes são necessários. 
Retinóides sistêmicos, como a
isotretinoína, revolucionaram o tratamento da acne, pois com seu emprego
geralmente se obtém um controle mais eficaz da acne.
 

Outros procedimentos
 

• Cirurgia da acne: consiste no preparo adequado e limpeza da pele.
• Esfoliação
química superficial: com ácido salicílico, ácido retinóico, etc.,
promovendo descamação superficial da pele e remoção das lesões
comedonianas e inflamatórias.
• Infiltração intralesional com corticóide: indicado, com cautela, para casos em que nódulos e cistos estejam presentes.

• Crioterapia: Nitrogênio líquido e gás carbônico.

• Fototerapia.
 
 

Conseqüências da acne 

 A acne, mais cedo ou mais tarde, se
resolve. Entretanto, suas consequências inestéticas podem
ser permanentes, dependendo do tipo das lesões e da abordagem
instituída, podendo deixar cicatrizes. Diminuição da auto-estima e
depressão também podem ser observadas, consequências psicológicas que
podem ser agravadas pelo estigma e discriminação social e profissional.
 

Alceu Berbert

Médico dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia