Biópsia para os pacientes

A biópsia é o nome dado ao ato cirúrgico que se destina à obtenção de um fragmento de pele para ser enviada ao laboratório para posterior análise…

29-jul-2013

A
biópsia é o nome dado ao ato cirúrgico que se destina à obtenção de um
fragmento de pele para ser enviada ao laboratório para posterior
análise. O médico responsável pela avaliação é um especialista formado
em anatomia patológica que emitirá um laudo anátomo-patológico. Este
laudo é o resultado do exame que conterá o diagnóstico ou suspeitas
diagnósticas que orientarão a conduta do médico responsável pelo
paciente.
 
      

A biópsia deve ser
realizada para confirmar um diagnóstico suspeito de uma doença. Como a
pele é de fácil acesso a as doenças de causas diversas podem ter o mesmo
aspecto ou, ainda, uma mesma doença pode ter várias apresentações,
realizam-se biópsias de pele com freqüência.
 
     

A biópsia não é exclusiva
dos dermatologistas, sendo realizada em quase todas as especialidades,
quando há necessidade. Por outro lado, como o dermatologista tem melhor
conhecimento das doenças de pele, fará a biópsia no local de pele mais
representativo da doença suspeita.
 
      

A escolha do local a ser
biopsiado deve ser o mais característico possível para levar a um
resultado final conclusivo. Assim, nem sempre aquela lesão que deixará,
do ponto de vista estético, o melhor resultado poderá ser a escolhida.
Neste momento, a decisão do médico, sem abandonar a preocupação
estética, deverá ser pela lesão mais adequada para esclarecer o
diagnóstico suspeito.
 

A biópsia é uma pequena cirurgia e cuidados devem ser seguidos. O paciente deve:

  • se possível, não estar usando anti-coagulantes
  • informar alergia prévia ou não a anestésicos
  • fazer repouso, dependendo do local da biópsia, como por exemplo nas pernas
  • programar retorno para remoção dos pontos, caso tenha ocorrido sutura
  • possuir o número do telefone do cirurgião para qualquer intercorrência
  • usar apenas as recomendações médicas nos cuidados posteriores

Não é só para esclarecer
diagnósticos que se solicita exame anátomo-patológico. Imagine que uma
pessoa tenha câncer de pele e é operada desta lesão. Tanto o paciente
como o médico cirurgião tem necessidade de saber se a cirurgia removeu a
totalidade da lesão. É o patologista que dará esta resposta, não só
relatando se a lesão foi totalmente removida como também se as margens
cirúrgicas forma adequadas ou se há necessidade de nova intervenção
cirúrgica para a remoção de restos da lesão que porventura ficaram.
 
      

Existem várias técnicas de
biópsia e o seu médico optará pela mais adequada para o seu caso. Por
outro lado, o paciente deve ser esclarecido a respeito da necessidade,
os procedimentos durante e posteriores ao ato cirúrgico. O diagnóstico
deverá ser obrigatoriamente comunicado ao paciente em termos claros, sem
tecnicismo. Nos casos em que o médico achar conveniente, como nas
doenças graves, ou quando o doente tiver problemas de aceitação ou
compreensão, bem como nas crianças, a família deve ser co-participante
do resultado.   
 
      

Algumas doenças de pele,
como as colagenoses (lúpus eritematoso), as doenças bolhosas (pênfigos,
fogo sevalgem p. ex.), entre outras, exigem técnicas especiais que podem
retardar a resposta ou onerar um pouco mais o paciente, na busca da
precisão diagnóstica. Assim, os médicos cuidadores do doente (clínico,
cirurgião e patologista) devem esclarecer ao doente ou seu responsável
sobre os procedimentos.
 
     

 Existe uma rotina de
trabalho nos Serviços de Patologia, demandando um tempo mínimo entre o
envio do material de biópsia até a emissão do laudo desejado. Há
situações em que o tempo de entrega do resultado pode ser prolongado
para melhor estudo do caso, utilização de técnicas mais refinadas, ou
mesmo consultas a outros especialistas da área para se chegar a um
diagnóstico mais preciso.
 
      

Todo fragmento de pele
retirado dos doentes deve ser enviado para a análise histopatológica.
Assim, não é só as biópsias que devem seguir este caminho. Qualquer
lesão removida em cirurgias programadas ou não deverá ser analisado. O
melhor para o doente é sempre ter o material colocado em formol para ser
enviado ao laboratório, mesmo que onere um pouco mais, pois evita
desastres posteriores. A certeza diagnóstica se obtém olhando o material
ao microscópio.
 
       Finalmente os doentes
devem ter em mente que o laboratório deve ser o guardião do material de
biópsia; o doente tem o direito de requerê-lo caso deseje enviá-lo a
outro laboratório para ouvir uma segunda opinião.
      

Antônio Carlos Martins Guedes

Médico dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia