Câncer da Pele

O câncer da pele é o mais comum de todos os tipos de câncer que ocorre no ser humano. Sua incidência tem aumentado significativamente em todo o mundo.

30-jul-2013

O câncer da pele é o
mais comum de todos os tipos de câncer que ocorre no ser humano. Sua
incidência tem aumentado significativamente em todo o mundo. Estima-se
que nos Estados Unidos, a incidência duplica a cada década e na
Austrália quadruplica a cada 10 anos. No Brasil, de acordo com os dados
estatísticos das Campanhas de Prevenção de Câncer da Pele promovidas
pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, cerca de 9% da nossa
população é acometida por algum tipo de pré-câncer ou câncer de pele. A
causa mais importante para o desenvolvimento do câncer da pele é a
exposição aos raios ultravioleta emitidos pelo sol. As pessoas de pele
clara, olhos e cabelos claros são mais predispostas ao câncer da pele. O
aumento da incidência pode ser explicado pela exposição solar intensa e
prolongada não só em atividades profissionais mas também em atividades
recreativas. A pele bronzeada ainda é erroneamente considerada como pele
bonita e saudável. Outros fatores que podem contribuir para o aumento
da incidência são: exposição solar intensa durante as férias e
atividades esportivas ao ar livre no período de 10 às 16 horas, uso
incorreto dos filtros solares, exposição em câmeras de bronzeamento
artificial, diminuição da camada de ozônio e o aquecimento global. O
câncer da pele é fácilmente diagnosticado e o tratamento precoce previne
mutilações, metástases e morte.
 
          
Os tipos de câncer de
pele mais comuns são o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular
e o melanoma. Todos estes são malignos, podendo provovar mutilações
importantes e até a morte. O carcinoma basocelular é o mais comum, sendo
responsável por 65% de todos os tipos de câncer da pele. Este tipo de
câncer surge principalmente após os 40 anos de idade, na pele exposta
cronicamente ao sol: cabeça e pescoço. Inicialmente nota-se um pequeno
carocinho que vai aumentando lentamente de tamanho, podendo sofrer
ulceração e sangramento. Muitas vezes o carcinoma basocelular tem uma
aparente melhora que até parece ter cicatrizado e curado mas que
posteriormente se agrava, podendo sangrar novamente e formar algumas
crostas de sangue. Surge então como um carocinho ou uma ferida
geralmente na face ou pescoço que pode passar por períodos de melhora
mas não cicatriza totalmente. Se não for tratado corretamente o
carcinoma basocelular pode invadir estruturas profundas e provocar
mutilações importantes como destruição total de orelha, nariz,
pálpebras, globo ocular e outras estruturas nobres da face. Este tipo de
câncer da pele apesar de ser mutiliante, geralmente não tem capacidade
de invadir a circulação sangüínea, nem produzir metástases (acometimento
de outros órgãos internos do corpo). 
 
           
O carcinoma
espinocelular é muito mais grave que o carcinoma espinocelular. Além de
crescer muito mais rápidamente, se não for corretamente tratado, este
tipo de câncer da pele pode provocar mutilações graves e tem capacidade
de invadir a corrente linfática e sangüínea, provocando metástases e
morte. Além da radiação ultravioleta contida no sol, outros fatores
podem causar o carcinoma espinocelular tais como o fumo, traumatismos
crônicos de próteses dentárias, úlceras crônicas, cicatrizes antigas de
queimaduras, radiações ionizantes (radioterapia) e o vírus HPV da região
genital. Os pacientes com transplantes de órgãos também tem maior
predisposição ao carcinoma espinocelular. Algumas substâncias químicas
como o arsênico podem também provocar o carcinoma espinocelular. O
carcinoma espinocelular surge geralmente a partir dos 50 anos de idade,
sendo mais comum no homem que na mulher. Surge geralmente na pele mais
exposta ao sol (cabeça, pescoço, membros superiores e inferiores), no
lábio inferior e na região genital. Aparece como um caroço que cresce e
ulcera rápidamente, sangra com muita facilidade e geralmente não tem
períodos de cicatrização. Geralmente o carcinoma espinocelular dói mas
este não é um sintoma presente em todos os casos.
 
           
O melanoma é o mais
maligno de todos os tipos de câncer da espécie humana. O fator genético e
a exposição solar aguda, que provoca bolhas e queimaduras de sol,
principalmente nas pessoas de pele clara, são os principais fatores que
favorecem o aparecimento do melanoma. Além disso, alguns nevos
(“pintas”) podem evoluir para o melanoma. Sua incidência, que duplica a
cada década, está aumentando em várias regiões do mundo. A incidência do
melanoma continua aumentando mais que qualquer outro tipo de câncer da
espécie humana (4% a 6% a cada ano). É o oitavo tipo de câncer mais
comum na espécie humana. É o câncer mais comum na mulher entre 25 a 29
anos e o segundo mais comum na mulher entre 30a 35 anos, perdendo apenas
para o câncer de mama. Nos Estados Unidos a incidência triplicou nas
últimas quatro décadas. Atualmente 1 em cada 90 a 100 americanos tem
melanoma. Neste país surgem 32.000 casos novos a cada ano e ocorrem 6500
mortes por ano, sendo 1 morte a cada 1h e 20min. O aumento na taxa de
mortalidade só perde para o câncer de pulmão. A idade média do
diagnóstico do melanoma é de 53 anos. O melanoma surge em qualquer
região da pele, como uma mancha escura que modifica e aumenta com o
tempo. Pode surgir sobre a pele normal ou sobre uma pinta que já existia
anteriormente.   As bordas se tornam irregulares, suas cores mudam e
variam desde o castanho claro, ao castanho escuro e até preta. Esta
mancha escura pode ou não coçar e, com sua evolução, se não for tratada,
pode ulcerar, sangrar e formar crostas. O sangramento e ulceração
significam maior profundidade da lesão e piora o prognóstico. O melanoma
tem cura se diagnosticado precocemente O diagnóstico e o tratamento
precoce continuam sendo as principais armas para a cura deste câncer. O
tratamento mais eficaz é a cirurgia, devendo ser realizada o mais
precocemente possível.
 

Gabriel Gontijo,

Médico dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.