Câncer da Pele

O câncer da pele é o mais comum de todos os tipos de câncer que ocorre no ser humano. Sua incidência tem aumentado significativamente em todo o mundo. Estima-se que nos Estados Unidos, a incidência duplica a cada década e na Austrália quadruplica a cada 10 anos. No Brasil, de acordo com os dados estatísticos […]

01-maio-2018
O câncer da pele é o mais comum de todos os tipos de câncer que ocorre no ser humano. Sua incidência tem aumentado significativamente em todo o mundo. Estima-se que nos Estados Unidos, a incidência duplica a cada década e na Austrália quadruplica a cada 10 anos. No Brasil, de acordo com os dados estatísticos das Campanhas de Prevenção de Câncer da Pele promovidas pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, cerca de 9% da nossa população é acometida por algum tipo de pré-câncer ou câncer de pele. A causa mais importante para o desenvolvimento do câncer da pele é a exposição aos raios ultravioleta emitidos pelo sol. As pessoas de pele clara, olhos e cabelos claros são mais predispostas ao câncer da pele. O aumento da incidência pode ser explicado pela exposição solar intensa e prolongada não só em atividades profissionais mas também em atividades recreativas. A pele bronzeada ainda é erroneamente considerada como pele bonita e saudável. Outros fatores que podem contribuir para o aumento da incidência são: exposição solar intensa durante as férias e atividades esportivas ao ar livre no período de 10 às 16 horas, uso incorreto dos filtros solares, exposição em câmeras de bronzeamento artificial, diminuição da camada de ozônio e o aquecimento global. O câncer da pele é fácilmente diagnosticado e o tratamento precoce previne mutilações, metástases e morte.
Os tipos de câncer de pele mais comuns são o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. Todos estes são malignos, podendo provovar mutilações importantes e até a morte. O carcinoma basocelular é o mais comum, sendo responsável por 65% de todos os tipos de câncer da pele. Este tipo de câncer surge principalmente após os 40 anos de idade, na pele exposta cronicamente ao sol: cabeça e pescoço. Inicialmente nota-se um pequeno carocinho que vai aumentando lentamente de tamanho, podendo sofrer ulceração e sangramento. Muitas vezes o carcinoma basocelular tem uma aparente melhora que até parece ter cicatrizado e curado mas que posteriormente se agrava, podendo sangrar novamente e formar algumas crostas de sangue. Surge então como um carocinho ou uma ferida geralmente na face ou pescoço que pode passar por períodos de melhora mas não cicatriza totalmente. Se não for tratado corretamente o carcinoma basocelular pode invadir estruturas profundas e provocar mutilações importantes como destruição total de orelha, nariz, pálpebras, globo ocular e outras estruturas nobres da face. Este tipo de câncer da pele apesar de ser mutiliante, geralmente não tem capacidade de invadir a circulação sangüínea, nem produzir metástases (acometimento de outros órgãos internos do corpo).
O carcinoma espinocelular é muito mais grave que o carcinoma espinocelular. Além de crescer muito mais rápidamente, se não for corretamente tratado, este tipo de câncer da pele pode provocar mutilações graves e tem capacidade de invadir a corrente linfática e sangüínea, provocando metástases e morte. Além da radiação ultravioleta contida no sol, outros fatores podem causar o carcinoma espinocelular tais como o fumo, traumatismos crônicos de próteses dentárias, úlceras crônicas, cicatrizes antigas de queimaduras, radiações ionizantes (radioterapia) e o vírus HPV da região genital. Os pacientes com transplantes de órgãos também tem maior predisposição ao carcinoma espinocelular. Algumas substâncias químicas como o arsênico podem também provocar o carcinoma espinocelular. O carcinoma espinocelular surge geralmente a partir dos 50 anos de idade, sendo mais comum no homem que na mulher. Surge geralmente na pele mais exposta ao sol (cabeça, pescoço, membros superiores e inferiores), no lábio inferior e na região genital. Aparece como um caroço que cresce e ulcera rápidamente, sangra com muita facilidade e geralmente não tem períodos de cicatrização. Geralmente o carcinoma espinocelular dói mas este não é um sintoma presente em todos os casos.
O melanoma é o mais maligno de todos os tipos de câncer da espécie humana. O fator genético e a exposição solar aguda, que provoca bolhas e queimaduras de sol, principalmente nas pessoas de pele clara, são os principais fatores que favorecem o aparecimento do melanoma. Além disso, alguns nevos (“pintas”) podem evoluir para o melanoma. Sua incidência, que duplica a cada década, está aumentando em várias regiões do mundo. A incidência do melanoma continua aumentando mais que qualquer outro tipo de câncer da espécie humana (4% a 6% a cada ano). É o oitavo tipo de câncer mais comum na espécie humana. É o câncer mais comum na mulher entre 25 a 29 anos e o segundo mais comum na mulher entre 30a 35 anos, perdendo apenas para o câncer de mama. Nos Estados Unidos a incidência triplicou nas últimas quatro décadas. Atualmente 1 em cada 90 a 100 americanos tem melanoma. Neste país surgem 32.000 casos novos a cada ano e ocorrem 6500 mortes por ano, sendo 1 morte a cada 1h e 20min. O aumento na taxa de mortalidade só perde para o câncer de pulmão. A idade média do diagnóstico do melanoma é de 53 anos. O melanoma surge em qualquer região da pele, como uma mancha escura que modifica e aumenta com o tempo. Pode surgir sobre a pele normal ou sobre uma pinta que já existia anteriormente.   As bordas se tornam irregulares, suas cores mudam e variam desde o castanho claro, ao castanho escuro e até preta. Esta mancha escura pode ou não coçar e, com sua evolução, se não for tratada, pode ulcerar, sangrar e formar crostas. O sangramento e ulceração significam maior profundidade da lesão e piora o prognóstico. O melanoma tem cura se diagnosticado precocemente O diagnóstico e o tratamento precoce continuam sendo as principais armas para a cura deste câncer. O tratamento mais eficaz é a cirurgia, devendo ser realizada o mais precocemente possível.

Gabriel Gontijo,
Médico dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Deixe seu comentário

Serão inseridos com o site online

Image Patrocinadores

Image Ouro
logo roc neostrata
Image Rubi
eucerin
STIEFEL_BLUE
cristália
logo_FQM_MELORA
Logo la-roche-et-vichy
Theraskin
Logo Pierre Fabre Dermocosmetique
Onderma
Logo Allergan
Ache
GALDERMA LOGO