Herpes

Herpes é o termo genérico usado para denominar as infecções mais comuns causadas pelos Herpesvírus, o herpes simples e o herpes zoster. 

29-jul-2013

O que é herpes?
 

Herpes é o termo
genérico usado para denominar as infecções mais comuns causadas pelos
Herpesvírus, o herpes simples e o herpes zoster. O herpes simples é
doença que acomete principalmente a boca e os genitais, mas que ainda
pode afetar qualquer parte da pele e até mesmo órgãos internos. O herpes
simples pode ser causado pelos herpesvírus humanos tipo 1 e 2. O
herpesvírus humano tipo 3 causa tanto a varicela (“catapora”), como
também o herpes zoster, popularmente chamado de “cobreiro”.
 

Como se pega o herpes?
 

Os herpesvírus 1 e 2 são
transmitidos pelo contato de uma pessoa infectada com outra
susceptível. O lábio, os olhos e as mucosas genital e anal são os locais
mais sujeitos ao contágio. O herpesvírus tipo 1 em geral é adquirido na
infância, principalmente pelo beijo, enquanto o tipo 2 geralmente se
adquire na vida adulta por contato sexual. O vírus tipo 3 é adquirido na
forma de varicela, também pelo contato da pessoa susceptível com outra
com a doença em atividade. Os vírus do herpes simples e do herpes zoster
estão distribuídos por todo o mundo.
 

Como o herpes se manifesta?
 

Na maioria das vezes, a
primo-infecção (quando se adquire o vírus após o contágio) pelo herpes
simples não causa sintomas. Em poucas pessoas a infecção se manifesta
como vesículas e bolhas dolorosas na boca, lábios, olhos, genitais e na
pele. Em geral a erupção dura em torno de sete a 10 dias e então o vírus
entra em estado de dormência, permanecendo nos neurônios dos gânglios
sensoriais. No indivíduo que já teve varicela, quando há comprometimento
da imunidade por doenças, estresse ou medicamentos que baixam a
resistência, o vírus pode ser reativado e causar o “cobreiro” e não a
“catapora”. O herpes zoster se manifesta por vesículas e bolhas,
geralmente muito dolorosas, que seguem um “trajeto linear” que
corresponde ao trajeto de um nervo pelo qual o vírus “desce”.
 

Por que o herpes sempre volta?
 

Após a infecção, o vírus
se aloja em estruturas do sistema nervoso chamadas gânglios sensoriais.
Nestas estruturas o vírus permanece em estado de latência (dormência)
por toda a vida. Quando as defesas do portador ficam comprometidas o
vírus pode se multiplicar e voltar a se manifestar. Estresse, irradiação
ultravioleta (sol), outras infecções virais, doenças e medicamentos que
reduzem a defesa imunológica são condições capazes de reativar o herpes
simples. Em média, um portador do vírus tem quatro episódios ao ano. Já
o vírus da catapora também fica alojado nos gânglios sensoriais, mas
não têm a mesma tendência a recorrer várias vezes. Quando o vírus é
reativado, o indivíduo apresenta o quadro conhecido como “cobreiro”, que
acomete preferencialmente pessoas idosas e aquelas com comprometimento
do sistema imune.
 

As infecções por herpes podem complicar-se?

A complicação mais comum
do herpes simples é a infecção bacteriana, sendo necessário o uso
de antibióticos. Comprometimento de órgão internos é muito raro no
paciente sem baixa da imunidade. Nos imunocomprometidos podem ocorrer
encefalites e mielites (infecções no sistema nervoso central). A
complicação mais comum do herpes zoster é a chamada “neuropatia
pós-herpética”, caracterizada pela persistência de dor muito
desagradável por meses ou até anos após resolução das lesões cutâneas.
Pacientes com mais de 50 anos e imunossuprimidos são mais susceptíveis a
tal complicação. Comprometimento de órgãos internos pelo herpes zoster,
como encefalites e meningites, são raras mesmo nos pacientes
imunossuprimidos.
 
 

O herpes tem cura?
 

Apesar de não existir a
“cura propriamente dita” do herpes, existem medicamentos para tratar as
crises e também visando a diminuir a freqüência das suas recorrências.
Há também tratamento para as complicações da doença. O herpes zoster
deve ser tratado precocemente para se evitar o desenvolvimento da
neuropatia pós-herpética. Várias vacinas estão sendo testadas para
prevenção do herpes simples, mas até o momento nenhuma ainda foi
liberada pelos órgãos reguladores para uso clínico.
 
 
 

Dalton Nogueira Moreira

Médico dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia