Micose das unhas

A “micose da unha” ou Onicomicose consiste na infecção das unhas, das mãos ou dos pés, causada por fungos.   É a doença mais comum das unhas, correspondendo a 40% de todos os problemas ungueais. Algumas situações favorecem o surgimento de micose nas unhas dos pés, tais como: o envelhecimento, o tabagismo, a presença de […]

02-abr-2018

A “micose da unha” ou Onicomicose consiste na infecção das unhas, das mãos ou dos pés, causada por fungos.   É a doença mais comum das unhas, correspondendo a 40% de todos os problemas ungueais. Algumas situações favorecem o surgimento de micose nas unhas dos pés, tais como: o envelhecimento, o tabagismo, a presença de doença vascular, o Diabetes, os traumas recorrentes nas unhas (como ocorre em maratonistas e corredores, por exemplo), a presença repetida e constante de micose nos pés e a história de micose em familiares.
Apesar de tratar-se do problema de unha mais comum, nem toda alteração ungueal é sinônimo de micose. Outras doenças podem imitá-la, como, por exemplo, é o caso da Psoríase e das chamadas “unhas frágeis”, que são resultantes do desgaste das unhas, causadas pelo trabalho diário (ato de secar e molhar as mãos constantemente, por exemplo) e pelo ressecamento das unhas, resultante da baixa umidade do ar, comum em algumas épocas do ano.
Os háluces, conhecidos popularmente como “dedões”, são os dedos dos pés mais afetados pela micose. Ela manifesta-se com a mudança de cor da unha, geralmente amarelada, no canto, no local onde ela é cortada. Posteriormente, ela torna-se “grossa”, quebradiça e descola do leito. Pode ocorrer descamação ou a presença de manchas brancas. À medida em que a micose torna-se mais antiga e a unha quebradiça, surge a possibilidade de encravamento, provocando dor e inflamação.  Outra forma diferente de micose de unha, comum nas unhas das mãos, é a candidíase. Ela ocorre em trabalhadores que têm muito contato com água e produtos químicos, como as “donas de casa”, copeiros, lavadeiras, etc. Nesta forma de onicomicose, ocorre uma inflamação da pele próxima à cutícula, com a presença de pus. Posteriormente, a unha apresenta alteração da cor, ondulações e descolamento. Nestes casos, contudo, a causa principal é o contato com a água e com produtos químicos de limpeza domésticos, que provocam um processo alérgico, o qual é seguido pela infecção bacteriana e pelo fungo cândida.
Existem diferentes tipos de fungos, com comportamentos variados, que podem provocar micose nas unhas. O conhecimento do fungo é importante para podermos indicar o tratamento correto e, conseqüentemente, obter o sucesso. Por esta razão, é fundamental a realização de exame laboratorial para confirmar o diagnóstico de micose.
Ao contrário do que algumas pessoas pensam atualmente, existem excelentes medicamentos para o tratamento das micoses. Como já foi relatado, é importante ter a certeza do diagnóstico, pois uma característica peculiar do seu tratamento é a longa duração, em especial a dos pés. Portanto, é necessário ter paciência, pois, para se obter um bom resultado, é preciso fazer o tratamento por alguns ou muitos meses. Os medicamentos tópicos, aplicados sobre as unhas, em forma de creme, pomadas ou soluções não têm um bom desempenho. Para que atue de maneira eficiente sobre as unhas, é necessário que o medicamento apresente-se na forma de um esmalte, pois o verniz, desta apresentação, propicia que a droga permaneça maior tempo em contato com a unha e destrua os fungos. Já os medicamentos orais são muito eficientes e as novas gerações apresentam menos efeitos colaterais do que os antigos existentes. A escolha do tratamento tópico ou oral, ou ambos, deve ser realizada pelo dermatologista, para que atinja índices de cura altos, que corresponde em torno de 85% dos casos. A ocorrência de recidiva, ou seja, o reaparecimento da micose não é rara.  Algumas medidas podem prevenir as recidivas: manter os pés limpos e secos; usar meias de algodão ou de tecido absorvente; aplicar pós anti-sépticos sobre os pés, diariamente; manter as unhas curtas; não usar o mesmo cortador para as unhas sadias e doentes; evitar usar cortadores e materiais de unha de origem desconhecida ou não esterilizados adequadamente; evitar ficar descalço em locais com grande quantidade de fungos (carpetes, banheiros de clube, vestiários, saunas e beiradas de piscinas); não usar calçados apertados e evitar o uso de calçados de bico fino; procurar o tratamento para os familiares com micose.

Glaysson Tassara Tavares
Médico dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia