Pele e emoções – Dermatoses psicossomáticas

Tanto que se fala “estou com os nervos à flor da pele”. Vejamos alguns exemplos: Ficar vermelho de vergonha ou roxo de raiva. 

29-jul-2013

Tanto que se fala “estou com os nervos à flor da pele”. Vejamos alguns exemplos:
Ficar vermelho de vergonha ou roxo de raiva.
Suar mais que o normal na hora de uma reunião importante.
Aparecer uma espinha, bem na ponta do nariz, um dia antes de um encontro especial.
Apresentar
sintomas mais sérios de doenças como psoríase, vitiligo, alergias,
infecções como o herpes e queda de cabelos em períodos de estresse.
E estresse pode ocorrer num
período de muitos desafios profissionais, num momento de perda de alguém
que se ama, nas dificuldades de relacionamento pessoal, profissional,
social e na relação amorosa, em grandes alegrias e surpresas estupendas,
como também nos momentos em que literalmente “se beira à loucura”.
Para ter uma pele saudável, além
de dispor dos melhores recursos dermatológicos, pode-se cuidar também
dos sentimentos, pensamentos e atos.
Uma abordagem cientifica – a
psiconeuroimunodermatologia – a cada dia vem mostrando como estas
questões emocionais influenciam nossa pele, cabelos e unhas, e como é
possível tratar melhor das dermatoses levando em consideração as
questões emocionais.
Problemas de pele associados a
alterações emocionais sempre foram observados pelos médicos, porém até
há bem pouco tempo a ciência não conseguia explicar como e por que estas
manifestações ocorrem no organismo. É importante incluir os aspectos
psicológicos na abordagem de seus tratamentos.
Hoje em dia há vasta literatura científica que comprova a relação do emocional com a pele.
 

Mensagens que vão e vêm
 

Com o desenvolvimento progressivo da
ciência no campo da psiconeuroimunologia, sabe-se que mensageiros
químicos – os neuropeptídeos e outros neurotransmissores (substâncias
produzidas pelo sistema nervoso) – levam informações do cérebro para os
receptores da pele e vice-versa. Assim, as mais diferentes situações
emocionais – ansiedade, euforia, tristeza, angústia, estresse, depressão
– acabam causando alguma reação no organismo, inclusive na pele, no
cabelos e na unhas.
Diversas pesquisas têm mostrado que os
sistemas nervoso, endócrino e imunitário formam um único sistema que
recebe a influência direta da mente. Mesmo sem se dispor de aparelho
capaz de medir pensamentos e sentimentos, os dados científicos vêm
fazendo com que pacientes e médicos, mesmo os mais céticos, passem a
observar o fato de que a pessoa pode somatizar na pele suas emoções
como, por exemplo, a agressividade na urticária ou a vida emocional
turbulenta na acne.
Estima-se que mais de 40% das manifestações cutâneas estejam associadas a influências psíquicas.
 

Estresse – Um fator presente!
 

Quem pode afirmar que está livre do
estresse, sobretudo quando se vive em grandes cidades? Motivos não
faltam – trânsito, violência, correria, excesso de compromissos e
atividades, trabalho desgastante, escola, provas e concursos, situação
econômica, relações complicadas dentro da família.
Mas também sabemos que o mais importante é como lidamos com o problema e não o problema em si.
 E um bom exemplo de se lidar com a
vida – podemos dizer metaforicamente que basta lembrar que o surfista
não pega todas as ondas, escolhe bem em qual praia vai entrar, verifica o
vento e o sol daquele dia, cuida da sua saúde antecipadamente e
verifica se naquele dia do surf está bem fisicamente e mentalmente. Ao
escolher a onda que pega, ele surfa à sua maneira, cuidando-se para
aproveitar o que de melhor há naquela onda. E surfa de acordo com aquela
onda especifica.
Os mergulhadores bem sucedidos física e
emocionalmente, no ato de mergulhar, também tomam várias precauções e
cuidados antes do mergulho.
 E assim todos os pacientes e todos
nós, seres vivos, podemos integrar vários detalhes para cuidarmos de
nossa saúde. Esteja atento a você e ao que seu médico orientar ou
alertar: esse é um bom caminho para a cura que almeja encontrar.
Várias conseqüências do estresse são
conhecidas, como a perda de resistência da pele, aumento do suor,
vermelhidão, coceira e diminuição das defesas imunológicas. Seus efeitos
podem causar aparecimento ou agravamento de alterações ou doenças, como
enfraquecimento de cabelos e unhas, reações alérgicas, psoríase,
dermatite seborréica, dermatite atópica, vitiligo, acne e infecções por
bactérias, vírus ou fungos, apenas para citar algumas das mais comuns.
 

A importância de um bom diagnóstico
 

Vários profissionais, como psicólogos,
psiquiatras, dermatologistas e endocrinologistas, estão unindo esforços e
estudos na lida com seus pacientes de forma integrada e
multidisciplinar. Afinal, se a mente pode causar, desencadear ou agravar
uma doença cutânea, pode também ser usada como fonte de cura ou
controle dessas mesmas doenças.
Há pessoas com problemas dermatológicos
que, apesar de muito incomodadas, acabam desistindo de procurar o
médico por já terem passado por vários tratamentos sem bons resultados.
Reflita – uma avaliação psicológica pode ser necessária? Não estranhe,
portanto, se o médico se interessar em conhecer um pouco mais sobre sua
vida emocional e sentimental. Quando uma boa avaliação clínica, por
vezes apoiada em exames complementares, mostrar que o uso de recursos
que lidem com os aspectos mentais ou psicológicos possa ajudar, talvez
isso faça a grande diferença para se obterem melhores resultados.
Pele e mente guardam uma relação muito íntima e delicada!
Saber avaliar e cuidar bem dessa relação certamente beneficiará não apenas sua pele, mas você como um todo.
Afinal somos seres humanos em que corpo e mente constituem uma unidade.
Para uma boa saúde, pensar, agir e
sentir precisam estar em equilíbrio, como também em harmonia as três
pulsões básicas da vida – a sobrevivência, a criatividade e o descanso .
 

Tânia Nely Rocha

Médica Dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia