Seborréia e dermatite seborréica

A seborréia se deve à alteração na secreção das glândulas sebáceas, o sebo. Além do aumento na produção de sebo, a sua composição parece estar alterada …

30-jul-2013

A
seborréia se deve à alteração na secreção das glândulas sebáceas, o
sebo. Além do aumento na produção de sebo, a sua composição parece estar
alterada. Ambas alterações resultam do estímulo das glândulas sebáceas
por ação de hormônios androgênicos sobre as glândulas sebáceas, que é
condição predisponente para a dermatite seborréica. Isso explicaria a
maior incidência no lactente, por estímulo de hormônios maternos que
passam para o bebê durante a gestação, e a maior freqüência também a
partir da puberdade, podendo chegar até aos 40 anos. Mas pode ocorrer no
idoso, em situações que estimulam a produção da secreção sebácea, como o
mal de Parkinson.

A dermatite seborréica parece ter ainda como fator causal um fungo do gênero Malassezia,
que é componente da flora normal da pele e que utiliza a gordura deste
meio para fabricar seus nutrientes. Em algumas pessoas, este fungo pode
ter a população aumentada e ser capaz de romper a barreira da superfície
da pele, provocando uma reação inflamatória, a dermatite.
A dermatite seborréica tende a piorar
no inverno e em condições de calor excessivo, por retenção de sebo e
suor. A tensão emocional, alguns quadros neurológicos e situações de
intenso comprometimento da imunidade costumam ser fatores agravantes da
doença.

A dermatite seborréica é doença
inflamatória de evolução crônica e recorrente, não contagiosa,
caracterizada por manchas avermelhadas e descamativas em áreas ricas em
glândulas sebáceas, como couro cabeludo, orelhas, sobrancelhas, sulcos
naso-labiais e parte superior do tronco. No lactente, afeta o couro
cabeludo, a face, o tronco e as áreas de dobras (pescoço, nuca, axilas,
virilhas).
A dermatite seborréica é mais comum em homens, sendo a caspa a sua forma mais leve ou inicial que afeta 5 a 10% da população.

O tratamento pode ser feito com
substâncias para remoção das escamas, no caso de descamação espessa no
couro cabeludo. Nas áreas afetadas, podem ser usados cremes ou loções de
corticóides para reduzir a inflamação, além de cremes, loções ou
shampoos com substâncias de ação antifúngica. Excepcionalmente, em casos
graves e extensos da doença, podem ser empregados medicamentos até por
via oral. Imunomoduladores tópicos também são opção de tratamento, assim
como a fototerapia.
 

Ana Cláudia de Brito Soares

Médica Dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia