Tinturas de Cabelo e Gravidez

Durante os nove meses de gestação, um grande número de mulheres sentirá necessidade de continuar os cuidados cosméticos com os cabelos, para manter a aparência com a qual se sentem confortáveis. Na gravidez os cabelos sofrem mudanças hormonais e nutricionais. Quando são tingidos, a resposta às tintas pode ser diferente da esperada e as raízes […]

02-maio-2018

Durante os nove meses de gestação, um grande número de mulheres sentirá necessidade de continuar os cuidados cosméticos com os cabelos, para manter a aparência com a qual se sentem confortáveis.
Na gravidez os cabelos sofrem mudanças hormonais e nutricionais. Quando são tingidos, a resposta às tintas pode ser diferente da esperada e as raízes brancas se tornam visíveis mais rápido.
Tanto a pele quanto o couro cabeludo podem absorver substâncias químicas, com o risco, em potencial, de que algumas destas substâncias atinjam o feto, durante a gestação. Por isso, desde tempos passados, os obstetras desaconselham a coloração dos cabelos durante a gravidez.
Existem poucos estudos sobre o uso de tinturas de cabelos, durante a gravidez, em seres humanos. Em animais, foram testadas doses até 100 vezes maiores que as usadas em humanos e, mesmo assim, não foram vistas alterações significativas no desenvolvimento fetal. Ainda são necessários mais estudos para que se estabeleçam critérios para o uso seguro dos tratamentos cosméticos nos cabelos durante a gravidez. A quantidade da tintura em uma exposição, a técnica de aplicação, o período da gravidez em que ela ocorreu, o tipo de substância utilizada e a freqüência das colorações são fatores importantes a serem considerados.
As tinturas de cabelos podem ser divididas em vários tipos, conforme sua composição e permanência nos cabelos:
graduais (metálicas) – chumbo, prata, cobre, níquel, bismuto, ferro. O efeito é cumulativo, a cor depende do uso continuo.
– temporárias – são tinturas têxteis, em partículas grandes, que saem na primeira lavagem.
semi permanentes – são tinturas têxteis ou de origem vegetal, que saem após quatro a seis lavagens. As têxteis são partículas pequenas, sintéticas, usadas como loções, shampoos ou mousses. Na verdade são tonalizantes, não mudam a cor dos cabelos. Das vegetais, a única ainda em uso é a henna. A cor original da henna natural é vermelha. Existem os compostos de henna, que produzem outras cores, por conterem sais metálicos. E há a tendência de se produzir henna sintética, em tonalidades que conseguem escurecer os cabelos.
permanentes – penetram na haste dos cabelos e não podem ser removidas. Com o crescimento dos cabelos as raízes ficam visíveis, exigindo nova aplicação a cada 4 a 6 semanas. Exigem a presença de água oxigenada e amônia, e são as que mais danificam os cabelos.
– “reflexos”, “luzes” -poucos fios de cabelo são descoloridos, com o auxilio de touca plástica com orifícios, protegendo o restante dos cabelos e o couro cabeludo.

Recomendações:
1) evitar qualquer tintura/ descoloração no primeiro trimestre da gravidez.
2) evitar as tinturas graduais (metais, principalmente o chumbo)
3) evitar as tinturas permanentes
4) evitar os compostos de henna ( tem adição de metais – chumbo, etc)
5) tinturas temporárias e semipermanentes – podem ser utilizadas
6) henna natural ou sintética – liberada
7) “luzes” – podem ser feitas
8) procurar usar doses pequenas das tinturas
9) as cabeleireiras que estejam grávidas devem usar luvas, trabalhar em ambiente ventilado, fazer pausas regulares durante o trabalho e evitar comer ou beber durante o trabalho.

Maria de Fátima Melo Borges
Médica dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia